No cenário virtual, a imprensa ganha nova cara. Moderna. Insegura. Possível. O jornalismo depara-se com um mar de oportunidades até então inviáveis em outras plataformas – rádio, TV, impressos – mas, ao mesmo tempo, em sua frente encontram-se enormes desafios. Um dos principais, e que merece destaque, é a adaptação. Ou seria melhor dizer invenção? O jornalismo deve se reinventar para conquistar o mundo da internet, processo que carece de atenção. Poucos são os jornalistas com este comprometimento. E muitos deles se frustram. Seguir um modelo é mais fácil. Mas, pelo menos por aqui, não trará o resultado desejado.
As redações online diferem-se das redações “físicas”. O leitor do webjornalismo é mais exigente. Ele percorreu um caminho até chegar a sua notícia, caro jornalista. Não foi alvejado por imagens e sons que lhe saltaram aos olhos e ouvidos. Foi porque quis. E, por querer, merece o devido respeito. Sua linguagem é outra e deve ser respeitada. Ele quer ser respeitado. E necessita ser ouvido. Sua opinião deve ser recebida e, se possível, complementada com mais uma informação. Seja ela favorável ou não. O leitor on-line quer produzir notícia. E, quando o cenário favorece, ele pode produzir material de excelente qualidade.
O jornalismo on-line é rápido. O mais veloz dentre todos os estilos. As notícias são atualizadas a cada minuto. Quando possível, a cada segundo. A presença das agências de notícias é maçante. Elas dão a matéria-prima. Mas, e aí, o que fazer? Retransmitir esta commodity ou transformá-la em produto com mais valor agregado. Voto pela segunda opção. E vou explicar o motivo.
Ctrl+c, Crtl+v. Reuters, BBC, EFE, Al Jazeera. Notícias de todo mundo disponíveis em seu site a partir de uma combinação de teclas. Pronto! Atualizado! Estou noticiando antes de todo mundo! Alto lá. Para muitos o trabalho termina por aí. Prefiro pensar que, na verdade, esta foi a primeira etapa. O que impede de completarmos estas notícias com informações que interessem nossos usuários leitores? É neste ponto que se conquista um fiel visitante. As agências realizam um trabalho magnifíco, mas, pelo seu propósito, beiram a superficialidade (não se adentram nos assuntos) e noticiam o interessante, de maneira geral, para todo mundo (assuntos universais). Será que os leitores do mundo todo possuem os mesmos interesses? Se gostamos tanto de ser esclarecidos sobre as pequenas coisas que acontecem em nossas vidas, o que justifica fazermos corpo mole diante da notícia? OK, um casal de ingleses surdos querem ter um filho, através de um processo de fertilização, que também apresente esta deficiência. A legislação britânica não aceita. Lá, somente fetos sem “falhas” podem ser utilizados. E no Brasil, como seria esta situação?
E então, o que esperar do webjornalismo?
Thiago Barrozo
Comentário do trecho “A produção de notícias” do livro Jornalismo Digital de Pollyana Ferrari